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MAKERS: O novo mundo da criação e partilha

É um conceito associado a uma nova geração de empreendedores, em regra ligada às novas tecnologias, à inovação e à partilha de conhecimentos. Saber um pouco mais deste movimento em emergência, quem são os makers e o que fazem foi o objetivo de mais uma Sunset Talk da 4.ª Semana do Empreendedorismo de Lisboa, que decorreu em 7 de maio na Embaixada do Príncipe Real.
Paulo Soeiro de Carvalho, director municipal de Economia e Inovação da Câmara de Lisboa moderou o debate e apresentou o grupo: Bernardo Gaeiras, director do FabLab Lisboa, Celso Martinho, Mentor da Lisbon Maker Fair, Maria Boavida, artesã e responsável pela marca OMA, Vasco Cosme e Rodrigo Franco, responsáveis pela Fábrica Moderna, Michael Kraft da startup Audiodevel e o conhecido músico Frankie Chavez.

Novas oportunidades

Nos últimos anos quebraram-se barreiras no plano tecnológico, nos custos das matérias primas e na partilha e universalização do conhecimento que a internet permite, diz Celso Marinho procurando definir o movimento makers: “uma comunidade emergente, nova, que na prática resulta de um conjunto de barreiras que desapareceram e de oportunidades que surgiram”. Para este maker, a nova realidade permite “a pequenos grupos fazer coisas que antes só estavam ao alcance das grandes empresas e instituições”. Fascinante e fantástico é o termo que utiliza para definir estas comunidades, que tem procurado organizar.Se antes o segredo era “a alma do negócio” o paradigma parece ter mudado e Bernardo Gaeiras afirma que o importante agora é a partilha. O FabLab é um laboratório municipal de fabricação digital criado em 2013 porque “faltava espaço para fabricar e apoiar ideias”, afirma, revelando que o espaço está a ser ampliado e reabrirá brevemente com mais equipamento, porque “tivemos uma grande adesão das pessoas”. A lógica é pois a partilha de ideias e de conhecimentos, não só na cidade e no país mas em rede internacional: há mais de 400 fablab’s no mundo, adiantou.


Foi de resto naquele laboratório que nasceram os produtos OMA de Maria, uma jovem formada em direito e relações internacionais que há um ano e meio, regressada do estrangeiro, começou a frequentar aquele espaço. O objetivo era outro, mais pessoal, mas resultou na reciclagem de “coisas que as pessoas já não usam”, como caixas de vinho, com o design de crochets que herdou da avó. O resultado é para já uma belíssima colecção de candeeiros mas a maker, hoje residente no FabLab Lisboa, não fica por aqui e a cabeça fervilha já em ideias e projetos para o futuro.
De fabricação digital vive também a Fábrica Moderna e Vasco Cosme afirma que é “por gosto” que se dedicam a esta actividade, procurando “fazer estender o design também aos produtos físicos”. Ao gosto aliam a procura de viabilidade dos produtos que possam passar do projeto à colocação no mercado.

Michael Kraft vem da música e dedica-se hoje a criar dispositivos musicais inovadores como sintetizadores modulares ou caixas de filtros para guitarristas. O V21 é um dos seus últimos protótipos, que apresentou, e destina-se a transformar o som emitido pela voz no som de um qualquer instrumento musical. A ligação a Lisboa começou por ser via FabLap EDP e depois o FabLab Lisboa, espaços que, diz, “foram muito importantes para desenvolver os meus produtos”.

O financiamento é muitas vezes um problema para uma boa parte de jovens empreendedores no desenvolvimento dos seus projetos e esse foi também uma barreira com que se deparou Frankie. Por isso recorreu ao crowdfunding, um sistema de financiamento partilhado pela internet, que lhe permitiu editar o segundo álbum: “Heart & Spine”.
E porque partilha parece ser uma das palavras chave dos makers, nada melhor para abrilhantar o final de tarde do que a execução de dois temas do álbum, a fazer as delícias de uma audiência que enchia o espaço.

Texto e imagem: Câmara Municipal de Lisboa

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